este eh o primeiro rascunho de algumas reflexões sobre os lemas do aikido …
Como primeiro lema fica manter a disciplina, e eu me pergunto porque será que este é o primeiro lema, porque no topo da lista ? com tantos outros supostamente mais importantes, como respeitar a Deus e as pessoas, ou ainda fazer amizade com todos … Com o tempo acamos percebendo a razão de manter a disciplina ser o primeiro da lista. Seja qual for o tema subsequente que busquemos aplicar em nossas vidas, seja qual for a nossa orientação religiosa, se não houver disciplina, que pode ser chamado nas entrelinhas de compromisso pessoal com suas próprias convicções, nossas convicções ou decisões pessoais não passarão de espasmos de atitudes, evitando sempre a profundidade da continuidade.
Espasmos de atitudes por vezes nos satisfazem, mas nos impedem de ir mais além, de deixar de ser horizontal e raso em nossas experiências e permitir experiências mais profundas e duradouras, Um exemplo bíblico bem interessante, que na verdade é um texto profético de Ezequiel no capítulo 47 :
3 – À medida que avançava, ele ia medindo e levou-me 500 metros para oriente, ao longo da torrente, mandando-me que a atravessasse. Nessa altura a água dava-me pelos artelhos.
4-5 Mediu mais 500 metros e mandou-me novamente que atravessasse. Desta vez a água já me dava pelos joelhos; 500 metros depois, dava-me pela cintura. E 500 metros a seguir, já a água era tão profunda que eu não podia atravessar a menos que o fizesse a nado.
Percebemos que e continuidade citada pelo profeta, continuidade esta muito citada por vários pregadores, demanda disciplina, continuidade, esforço pessoal em manter determinado comportamento, ou ainda percepção das coisas, de pé e andando.
Outro texto bíblico que ilustra muito bem a questão da continuidade e disciplina é a muito citada e comentada primeira carta de Paulo aos Coríntios no capítulo 13, bem no final do capítulo:
9 – porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;
10 – mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
11 – Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
12 – Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.
O apóstolo Paulo confessa sua ignorância e imcompletude de percepção do que ele mais ensinava e escrevia, a percepção do divino, do eterno, do costumeiramente chamado de Deus. A fé nos leva a crer em Deus, não provas concretas, e neste relecionamento onde pouco conhecemos, ou ainda compreendemos parcialmente, precisamos nos disciplinar, nos forçar a permanecer buscando enxergar um pouco mais do que o enigma, um pouco mais do que o reflexo de uma divindade.
A disciplina pessoal, seja ela como for, nos permite continuar, e nesta relaçõa continuada vamos caminhando e deixando para trás as coisas de menino, deixando para trás as relações de compreensão limitadas sobre as relações e fatos da vida, meninos são assim, tudo é novo, e como novo não há tempo para explorar mais detalhes, pois ficamos nos entretendo com a novidade … e quando uma novidade começa a descortinar, começa a demandar disciplina, por vezes acabamos buscando outra novidade, outro brinquedo de menino.
A disciplina é dolorosa, pois nos demanda controlar o menino que há em nós, e convida a escolher ficar, a escolher manter, a escolher dedicar-se e investigar, e explorar e conhecer e praticar mais, e com certeza esta escolha em qualquer área da vida é dolorosa, não necessáriamente física, mas por muitas vezes mas emocional do que física.
A dedicação não exclui a novidade, não impede a vanguarda, mas separa os momentos de dedicação e exploração, pois o hábito de manter-se é o que permite por exemplo que haja tempo e paciência para a exploração do novo, que por vezes não é tão óbvio ou superficila quanto parece. Ou até para aparentemente agirmos de forma aleatória, ou sem compromisso precisamos de disciplina, porque sem ela, digo mais uma vez passamos a vida de forma espasmódica, e não concluímos quase nada.