escola bíblica dominical – 10 set 2006

Orgulho religioso

Neste domingo o caldo engrossou um bocado… porque o assunto não é dos mais simpáticos, e minha opinião é menos simpática ainda sobre o assunto, porque a maioria das nossas mazelas comportamentais decorrem desta visão deturpada relacionada aos nossos ritos e coisas semelhanates.

Bem começamos examinando o evangelho de Mateus, no capítulo 23, alguns versículos sobre uma bronca homérica que Jesus deu no povo do templo, primeiro vejamos o verso 16

Ai de vós, guias cegos, que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas, se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou!

No momento Jesus discutia com os indivíduos do templo sobre os valor das coisas, conversando sobre a hipocrisia que estava assolando as pessoas que tinham em mente que os valores eram mais importantes que as coisas sagradas (que coisas sagradas afinal ?) e em especial neste verso, levanta a questão do juramento, indicando que quando alguém jura por algo, este algo é de sua grande estima ou valor, e nesta interpretação o dinheiro vinha antes das coisas do templo.

Seguindo na discussão sobre importâncias, onde Jesus não deixou as coisas do templo de fora, mas indicou o que de fato é o MAIS importante, o essencial , o alvo da vida que se diz seguidora dos ensinamentos de Jesus, vejamos em MAteus 23.23

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!

Justiça Misericódia e a Fé ! os sujeitos estavam com suas práticas religiosas afiadinhas, mas quando era necessário praticar a visão do Reino de Deus, e não a visão do templo, estavam sendo reprovados … uma pena que isto AINDA acontece hoje, gente que ama mais o templo do que a Deus.

E para arrematar o dia (Jesus devia estar muito aborrecido naquele dia …) no verso 27 de Mateus 23, vem uma tijolada na cara da galera !

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!

Sepulcro cheio de cal é bunitim de ver, masque ninguém queira abrir este negócio… porque fede pra chuchu. Continuando nesta análise de hipocrisia e de um orgulho louco, caímos em outro texto clássico sobre o assunto : Lucas 18.9-14

9 Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: 10 Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. 11 O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; 12 jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. 13 O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! 14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.

Mais uma vez Jesus trata do amor ao templo e suas práticas em detrimento ao amor e relação pessoal e clara com Deus. o publicano que batia no peito, entendia claramente que seus esforços não apagam uma realidade da vida, a realidade de que fazemos um monte de besteir, e que Deus tem de ser muito paciente conosco.

Quando analisamos o comportamento de exaltação pessoal, entendemos o risco inerente a isto pois de alguma maneira o indíduo se expõe em demasia, e por fim acabam aparecendo suas mazelas e a expectiva gerada por sua exaltação era tão alta, que acaba por gerar uma frustração nas outras pessoas.

Enquanto que o humilde, por pior que seja o indivíduo, SEMPRE há algo de bom nele, e no reconhecimento de suas carências de melhoria, desponta a luz do que háde bom nele e isto brilha mais do que suas mazelas, e ao invés de frustração, surge a surpresa.

Mas independente desta anaálise estratégica sobre humilhação e exaltação, cabe a pergunta : COMO É QUE ALGUÈM CHEGA NESTE PONTO ?

humm, que ponto tio ? no ponto em que fica se achando todo especial, porque pratica as coisas do templo, no ponto onde os outros são os outros, e na verdade não só outros mas os perdidos, os sujos, os imundos, e os que praticam as coisas do santuário… estes sim são porretas ! o resto é porcaria … é deste ponto que estou falando, ponto este que muitos estão vivendo hoje, num ponto onde desprezam os “desigrejados”.

Tentei resumir um pouco da posição do Ruben Alves no livro Religião e Repressão, onde ele trata deste assunto de forma impagável !

No seu relato, fica estabelecido que antes da conversão as pessoas como diz em Lucas 19.10, estavam perdidas, vivendo uma crise de compreensão do mundo e das coisas da realidade, nesta crise de compreensão, onde as loucuras e desgraças da vida, fazem com que a mesma perca o sentido. o indivíduo encontra um escape para sua dor ! entrega-se a fé que se propõe a responder suas perguntas, e nesta corrida contra a dor o homem se encontra com Deus.

Neste encontra fantástico, celebra-se a fé, celebra-se o invisível, o intangível, o coração se abre e se derrama a cantarolar, a celebrar com tudo e todos o encontro, e vemos na prática o texto da carta aos Hebreus no capítulo 11.

Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.

A fé garante o que não vemos, prova o que não temos como provar, estabelece convicções sólidas como rocha, mas nem tudo são flores na vida de Joseph Climber … o tempo vem e um ingrediente sinistro acompanha a fé, é a ausência de referências da realidade, a ausência de um recibo de Deus dizendo que vc crê nele, nem um certificadozim  Ele (Ele ou Ela ?) manda pelo correio … ai ai cada a referência física da fé ? NÃO TEM ! ou crê ou não crê …

Mas nem todos querem conviver com esta nova dor… esta dúvida assombrosa, este fantasma de dúvida, que assombra todos os que creêm. Então surge belo e faceiro o templo e suas coisas, para oferecer uma referência física as coisas do divino, a oferecer os famosos procedimentos, que nos fazem ter a sensação de estar fazendo o correto no que tange a nossa relação com o divino… busca-se então que alguém nos diga o que fazer, que eu tenha uma segurança comportamental, que me afaste da dor da dúvida da fé.

E neste momento fica estabelecida a desgraça, o sujeito ama mais as coisas do templo, do que ama a Deus, o sujeito briga pelas suas opiniões sobre os conceitos do templo, mas não briga para executar os compromissos pessoais com Deus, isto fica para depois … até porque isto me lembra uma certa dor, e meu negócio agora é me sentir confortável com alguém me mandando fazer as coisas, assim que é bom …

O convite é para amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vc mesmo, e não para amar o templo acima de todas as coisas e suas coisas como a vc mesmo, basta de deturpar o Reino de Deus, que é aqui e agora, não é aos domingos nos cultos e missas, devemos nos reunir para partir o pão, para celebrar nossa comunhão, celebrar o amor, e nosso culto … este é pessoal e a cada momento de nossas vidas … até porque é disto que a vida é feita, de momentos, não de domingos.

Que Deus nos ajude a ama-Lo cada vez mais e amar cada vez menos o templo.

livros indicados e o slide utilizado na aula

aula_20060910_slide.jpg aula_20060910_livro_orgulho_de_ser_evangelico.jpg aula_20060910_livro_religiao_e_repressao.jpg