Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma.
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?
Salmo 42.1-2
Quando leio esta letra de música, fico imaginando qual seria o ritmo em que ela era cantada, seria um rap ? uma salsa ? um samba ? sei lá ! mas o que interessa mesmo é que esta sede insaciável da presença de Deus em nossas vidas realmente pode se comparar ao suspiro da corça
Mas esta sede sozinha não é completa, pois esta sede fala de metade das expectativas relacionais de Deus … veja o que diz um trecho do texto de Mateus:
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento … E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Mateus 22.37,39
A sede pela água viva que é oferecida pelo Todo-Poderoso, volto a dizer é uma parte somente ! o segundo passo é perceber que existe alguém ao redor, que outros também querem beber desta água, e quando o salmista comparou as pessoas com corças, esta fazendo uma comparação ótima, pois o bichinho é presa dos predadores, e como presa (Obrigado Filipe meu biólogo de plantão !) tem os olhos nas laterais, percebendo muito melhor ao seu redor, diferente dos predadores que tem os olhos para frente.
Não somos predadores, somos presa dos problemas da vida, mas presas que não ficam somente olhando, sabemos onde nos alimentar, quando parar e quando correr, aqueles que pensam ser predadores, espero que reflitam sobre sua humana fragilidade, e isto faz muito bem, refletir sobre a nossa fragilidade, alguns somente pensam sobre o assunto quando estão doentes, ou fracos, ou seja quando a fragilidade vem a tona…
O melhor mesmo é entender a fragilidade antes para estar pronto para os momentos de correr ! melhor é apanhar sabendo que vai apanhar do que de surpresa, então se a fragilidade é invevitável é melhor ter clareza dela e enfrentar da melhor maneira.
Nesta jornada, a essência do manual de instruções que está na primeira carta de Paulo aos Coríntios, tão musicada, tão falada, nos convida a decisões sofridas, decisões de deixar os outros beberem da água também, decisções que não se relacionam com sentimos ou afetividade, quando vemos no texto a descrição do comportamento do amor, vemos características comportamentais, decisões práticas e não apelos melosos e cheios de emoção.
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. …
O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. …
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. …
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.
Primeira Carta de Paulo a Igreja em Coríntios 13
Este é o amor que somos convidados a praticar, um amor que olha para o lado que manifesta ao seu próximo o que temos de melhor, e deixamos de lado, ou melhor enfrentamos o que temos de pior em favor do outro que também quer beber conosco.
Bebamos todos desta água !!!